A obrigadinha

Exercícios com maior ou menor ligação com a realidade

           

[Retrato de mulher com gravata preta, Amadeo Modigliani]

Quando for grande vou-me comprar uma gravata, escrevi no meu caderninho. Preta, fina, selecta.
Em criança, nada me captava mais a atenção do que aqueles panos pendurados no armário que por meio de laços mágicos, símbolos de um mundo adulto e sério, e por isso mesmo ainda mais misterioso, que por meios de voltas e contravoltas hipnotizantes, viravam aquele atributo de um clube distinto.
Já em adulta, nada me fascina mais do que uma mulher envergando essa peça masculina, mas com uma feminilidade – apesar desse acto rebelde, ou por causa dele – subtilmente sublinhada.
Entre mistérios de infância e fascínios de idade adulta, pela criança que fui nem sequer adivinhados, pavonearei a confusão entre os sexos ao meu pescoço, de costas direitas e peito para fora, elegante.

1 year ago